28 novembro, 2006

Não esperes mais... :)

Ainda na rua, a presença solitária da ténue luz do candeeiro da tua mesa de cabeceira disse-me que já estarias na cama -- a dormir ou a caminho disso. Por isso, rodei a chave com muito cuidado, não fosses estar já abraçada pelo sono.
Desfiz-me do casaco e fui ter contigo ao quarto. Encontrei-te de olhos fechados, mas vi também que tremias com frio. Num impulso instantâneo de vontade, optei por, em vez de te aconchegar a roupa da cama, juntar-me a ti debaixo dela -- vestido e tudo -- deitando-me atrás de ti. Estando mais perto, bastou ver-te a espreitar, durante uma fracção de segundo, por um olho meio aberto, para descobrir que estavas só a fingir que dormias -- e finges muito mal, diga-se de passagem, mas se calhar fazes de propósito.
Comecei então a dar-te os beijos que tanto gostas de receber quanto chego a casa. Começo na nuca, passo ao teu pescoço, orelha, cara. Páro para te pôr o braço à volta da cintura e colar-me ao teu corpo -- apenas separado do meu pela minha roupa -- e continuo: dou-te um beijo no canto dos lábios, e no instante seguinte estamos ambos perdidos na luta das nossas línguas em boca alheia.

(Espero agora eu pela *tua* continuação...)

25 novembro, 2006

Espero por ti


Espero ansiosa por ti…
Desligo as luzes. A escuridão e o silêncio envolvem-se à minha frente numa combinação quase perfeita.
Subo as escadas e vou para o quarto, cada vez mais ansiosa.
Deixo a porta entreaberta, para quando chegares não me acordares a abri-la. Gosto muito mais que sejas tu a acordar-me com beijos delicados nas costas… nos ombros… no pescoço… nos lábios…
Preferia não adormecer. Queria esperar-te, queria fazer de conta que dormia para sentir ainda mais os teus beijos, mas demoras e acabo por ceder ao cansaço.
Fecho os olhos…


(Espero pela tua continuação...)

Raio de Sol

22 novembro, 2006

(para ti) J

És o meu equilibrio...
Completas-me!
* Raio de Sol *

28 agosto, 2006

'Descobertas'



Tínhamos combinado ir ao cinema, mas para variar quem se atrasa sempre é ele. Decido então , ir até sua casa, na esperança de, talvez, o encontrar pelo caminho. Mas não. Nem sinal dele.

Toco à campainha.
Instantes depois ele abre-me a porta, ainda meio molhado, despenteado, com a camisa por apertar. Pede-me que suba e que espere enquanto se acaba de arranjar.

Chegamos ao quarto e só aí é que ele olha para mim…

- Bem, esse vestido… fica-te muito bem! Aliás tu estás linda…

Olhou-me várias vezes. Parou nos meus lábios, ainda brilhantes do batom que tinha posto em casa. Começo a brincar com eles só para o provocar. E consigo!
Em menos de nada tenho os lábios dele colados aos meus.

Mas pára para acender velas, e volta para me amar…

Parece que o cinema vai ter de ficar para mais tarde…

Ou para amanha talvez…

A medo, ele tacteia o meu corpo. Não que fosse a primeira vez, mas hoje é diferente. Começa a explorar cada pedacinho de um corpo que sabe que vai ser seu… aí sim, será a primeira vez!

Deixo-me dominar…

Deixo-me seduzir pelo toque suave das suas mãos na minha pele…

Deixo-me aconchegar no seu corpo musculado.

Hum…

A luz das velas espalhadas carinhosamente pelo quarto, dança ao som dos nossos movimentos.
Até que ele para!

- Tens a certeza disto?

- Talvez mais do que tu!

Olhamo-nos nos olhos pela última vez, antes de cedermos ao prazer que ainda não conhecemos.

Suspiro…

Pegas-me e sentas-me no teu colo. Primeiro com lábios. Depois com as mãos, pões as alças do meu vestido para o lado. Devagar faze-las deslizar pelos meus braços e pelas minhas mãos. Levanto-me. O vestido caí aos meus pés…

Agora é a minha vez!

Desaperto cuidadosamente cada botão da tua camisa e tiro-ta! O resto da roupa deixo por tua conta. Olho o teu peito e a tua barriga bem cuidada. As horas de ginásio que fazes não são em vão… Sorrio e fico satisfeita por saber que tudo aquilo que vejo vai ser meu, por momentos, ou quem sabe, para sempre….

Abraço-me a ti… o meu peito cola-se ao teu, o nosso calor mistura-se. As nossas peles tocam-se suavemente, os nossos olhos descobrem um corpo desconhecido. As nossas respirações ofegantes tornam-se numa só e as nossas almas saciam-se.
Provam o sabor do desejo que ambos não conseguimos controlar.

Os desejos, deixam de ser desejos. Passam a ser puro prazer…

...

- Estás bem?

- Melhor seria impossível!

26 agosto, 2006

Agora que não estás - parte I

Desafio proposto pela RaioDeSol: “a tua ausencia consegue ser sempre mais forte que a tua presença”.

Agora que não estás, passam-me pela cabeça e pelo corpo todos os momentos em que partilhámos os nossos corpos desde que partilhamos os nossos corações. Aqui estou sozinho, no nosso apartamento, com muito tempo para pensar. Agora que não estás, penso nesses momentos um por um.

Agora que não estás, é como se estivéssemos naquele jardim em São Sebastião, quando ainda não nos tínhamos entregue em pleno um ao outro e ainda explorávamos os nossos corpos pouco a pouco. Arranjámos um banco mais escondido, e colámo-nos no beijo cheio de paixão. À medida que, com as línguas ocupadas numa luta pacífica, as mãos iam explorando a carne, o desejo ia crescendo; uma tua mão pegou então na minha, e levou-a a explorar o interior da tua camisola. A minha boca mudou-se para o teu pescoço, enquanto a minha mão foi levantando o teu soutien, para acariciar cada seio teu, alternadamente, como era teu desejo. A minha boca voltou a descer, quando levantei a tua camisola, revelando o teu peito, no qual o meu lado devorador se perdeu, enquanto tu respiravas ofegantemente. Infelizmente, o prazer acabaria mais cedo do que desejável, porque íamos sendo apanhados em flagrante por um segurança do jardim. Mas não tardaria muito a ser o nosso dia...

(Continua...)

21 agosto, 2006

Nada de olhares…

João esperava por ela, ansioso. Era sempre assim, parecia-lhe sempre a primeira vez.
Ao fundo da rua, finalmente ela começava a confundir-se com a escuridão. Caminhava devagar e séria. O cabelo esvoaçava sobre a sua cara, mas nem isso a levava a fazer qualquer movimento.
Chegaram perto um do outro e não se olharam.
Nada de olhares…
Nada de palavras…
Nada de desejos escondidos…
Mas assim que João sentiu o calor do corpo dela, aproximou-se e ao contrário dos outros dias, envolveu-a num abraço forte.
O beijo… esse só surgiu quando o abraço já não satisfazia, nem um, nem outro.
- Vamos?!
João, levou isto como uma ordem. Seguiu carinhosamente os passos dela.
E assim que a porta da velha casa, destruída pelo tempo se abriu, ambos se envolveram em beijos perigosos.
Sem olhares, sem palavras, sem desejos escondidos, deram-se por vencidos e deitaram-se no chão frio, rapidamente aquecido pelos corpos quase nus.
E porque desta vez tinha de ser diferente, João deixou-se dominar pela beleza da mulher que amou vezes sem conta.
Esta noite, ele seria dela.
Só dela!...

20 agosto, 2006

Rita

Rita conhecia os dois andares da sua casa de cor e salteado. Não foi portanto uma estreia, o facto de não ter acendido qualquer luz para ir à cozinha, no andar de baixo, fazer um assalto nocturno ao frigorífico. Levantou o lençol e esquivou-se para fora da cama—rápida mas suavemente, tentanto não acordar o corpo que dormia ao lado do seu.

Como se dia fosse, Rita percorreu o corredor e desceu as escadas, sem tactear, sem hesitar. Sem hesitar e sem tactear continuou, até à cozinha, recolhendo pelo caminho duas flutes e uma garrafa meio vazia de espumante—vestígios de um louco serão que entrara noite adentro, e que lhe regressava agora à sua mente, depos de se encandear com a luz do frigorífico.

Horas antes, não fôra preciso consumir o espumante aé à embriaguez, para que os corpos se libertassem das pressões, restrições e preconceitos a que os espítios neles contidos teimavam dar importância. Da luta de ambas as línguas, rompendo por dois pares de lábios em direcção uma da outra, até ao calcorrear de quatro mãos em terreno alheio, na senda de mais carne e menos roupa, tudo se acumulou até fazer rebentar uma tempestade de paixão, formando ondas de prazer nos mares dos seus corpos—que vibravam, em clímaxes atrás de clímaxes, à mercê um do outro.

Um formigueiro percorria agora o corpo de Rita, como efeito do relembrar das horas de loucura ainda frescas—na memória, e nos pontos fracos cujo estímulo duplicava o seu prazer, e onde o formigueiro se tornava calor intenso.

No momento seguinte, algo bem mais forte que esse prazer miudinho gritou-lhe repentinamente que a noite não acabara. Não fôra a única a descer as escadas; uma mão, invadindo pelas costas a camisa de noite desabotoada que envergava, instalava-se entre as suas pernas, enquanto a boca que lhe correspondia sussurava: “Queremos mais, menina Rita?” Enquanto se virava, ofegando um “Sim”, a camisa de noite foi caindo em direcção ao chão. O corpo (também despido) que a provocara e o seu colaram-se um ao outro e perderam-se num beijo longo e quente—num crescendo de tensão sexual, potenciado pelo investir dos seios de uma contra os da outra...